Apresentação

Desde o início da década, assuntos ligados à gestão empresarial, gestão de carreiras e empreendedorismo fizeram parte do meu dia a dia no jornal O Estado de S. Paulo, entrevistando os principais nomes desses setores, como presidentes e CEOs de grandes empresas, e também mostrando cases de sucesso. É essa experiência que quero compartilhar com os leitores e, ao mesmo tempo, apontar tendências nessas áreas tão impactadas pela transformação digital.  E se você tem um case ou assunto que queira dividir com o blog, envie para o e-mail contato@diasuteisemuitomais.com.br. Cláudio Marques

Evento discute como aumentar participação feminina nos setores de tecnologia e ciências exatas

Foto: Unsplash

É facil perceber que mulheres e meninas têm baixa representação nas áreas do conhecimento chamadas de STEM, que abrange o ensino de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. “É algo que vem desde a educação básica, fase na qual muitas meninas não recebem o mesmo estímulo que os meninos possuem por essas áreas. Trata-se de um problema mundial. Hoje, sabe-se que equipes diversas conseguem entender melhor os problemas da sociedade e dos negócios, e por isso conseguem inovar mais e gerenciar melhor os riscos”, diz a diretora de Diversidade e Inclusão da EY para a América Latina, Adriana Carvalho.

A fim de promover discussões sobre a inserção e o protagonismo de meninas e mulheres nessas áreas, a EY Brasil, em parceria com ONU Mulheres, Rede Brasil do Pacto Global e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), realiza nesta quinta-feira, dia 11 de fevereiro, a partir das 15h, o Encontro Mulheres e Meninas na Ciência.

O evento, que será transmitido por meio da plataforma Zoom, é voltado a mulheres estudantes do ensino médio ou universitário e em início de carreira, além de gestores de Recursos Humanos e Responsabilidade Social, entidades do Terceiro Setor e áreas do governo que lidem com o tem a não só no Brasil, mas nos países vizinhos Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

Participarão do evento entre outros, o CEO da EY no Brasil e América do Sul, Ted Acosta; a líder de mercados de tecnologia no sul da América Latina e líder do grupo Women in tech, Denise Marconi; a líder regional do Programa Ganha-Ganha, da ONU Mulheres, Esther Corral Cutillas; o coordenador do Programa de Ciências Humanas e Sociais da Unesco, Fábio Soares Eon; a pneumologista e pesquisadora Letícia Kawano; o diretor de parcerias estratégicas da Rede Brasil do Pacto Global, Marcelo Linguitte; a sócia e membro do board da Abstracta, Sofia Palamarchuk; a professora e pesquisadora Zélia Ludwig e a head de Relações Institucionais da Mauricio de Sousa Produções, Larissa Purvini.

No site www.ey.com/pt_br/mais-mulheres-e-meninas-na-ciencia é possível fazer a inscrição, que é gratuita, e obter mais informações.

Executiva dá cinco dicas para motivar colaborador em home office

Foto de Luke Peters / Unsplash

A quarentena contra a pandemia do novo coronavírus e a consequente adoção do trabalho remoto, fez com que muitas empresas se dessem conta da necessidade de criar novas estratégias para motivar seus colaboradores nessa nova rotina de atuação, o home office.

Nesse sentido, a CEO do grupo de comunicação MCM Brand Group, Mônica Schimenes, dá cinco dicas de como os líderes podem motivar os colaboradores, mesmo longe fisicamente:

• A arte de fazer perguntas: Os líderes precisam estimular seus colaboradores a sempre fazerem perguntas para explorarem diversos pontos de vista. Todas as perguntas devem ser bem-vindas, fazendo assim as pessoas perderem o medo de se comunicar.

• Feedback é um presente: Reconhecer o que os colaboradores fazem de bom e dar opções para melhorias é uma tarefa delicada e que exige prática. Comece com pequenas conversas, um café para entender como a pessoa está, separe um ponto bacana que você gostaria de elogiar, algo que a pessoa precise melhorar e pergunte o que ela acha disso? Se faz sentido e como ela gostaria da sua ajuda para avançar naquele ponto.

• Tudo bem pedir ajuda: Muitos líderes têm receio ou medo de pedir ajuda para o time, ou pessoas de cargos menores que os deles, por supostamente expor sua vulnerabilidade. Pelo contrário, ao pedir ajuda, além de demonstrar valor pela opinião daquela pessoa, o líder demonstra que também está em constante aprendizado e todos têm valor no processo.

• Hands on! Em tempos de covid-19, todo mundo põe a mão na massa e o papel do líder de dar o exemplo é fundamental. Ajudar todos a remar mais forte com um rumo bem claro faz toda a diferença. Líderes de atitude tocam as emoções de seu time, quando demonstram que estão juntos e mais ainda quando compartilham o conhecimento que possuem. Afinal, é por uma série de fatores que ele ou ela se tornou líder.

• Desenvolva novos líderes: Em tempos de crise, a gestão fica delicada, porque as decisões ficam mais difíceis e tudo parece ganhar um peso maior. Um líder com visão humanitária é seguro para delegar desafios aos liderados, confiando que eles poderão dar conta. Escolha pessoas-chave que se destacam no dia a dia, alinhe se a liderança faz parte dos desejos desse colaborador e o desafie a ser melhor todos os dias.

Qualidade de vida, modo de trabalho

Por Adrian Alexandri*, especial para o Dias Úteis e Muito Mais

No campo, na cidade ou na firma: onde é melhor trabalhar?

Trabalhar em casa – o hoje onipresente home office –, assim como as vídeoconferências, que agora têm como sinônimos Zoom, Google Teams, ou o velho Skype, sempre existiram, mas são obrigatoriamente comuns em tempos de quarentena. Estão no trending toppics de qualquer empresa, no linguajar de muita gente que se viu refém de ter que trabalhar no mesmo espaço em que mora.

Quando ingressei no mercado do trabalho como jornalista, e lá se vão mais de 35 anos, as relações de trabalho eram diferentes e – vivendo em redações de jornal ou TV, como foi parte da minha carreira – eram mais “diferentes” ainda. Toda vez que vejo os processos árduos por qual passam muitos profissionais para obter um emprego, penso o privilégio de não ter precisado passar por fases, testes de comportamento e entrevistas duras para garantir minha contratação. Era uma época em que muitas vezes um amigo ou um futuro colega de redação o indicava e, tendo um currículo adequado, estava contratado depois de uma boa conversa com o editor ou diretor do veículo. Era um QI no melhor sentido da expressão, sem passar por cima de outros candidatos. Não havia em muitas redações, à época, processos seletivos estruturados. Precisando contratar, a própria equipe dava nomes e avalizava os candidatos.

Depois fui trabalhar com comunicação corporativa – onde agora completo 20 anos – e as “regras” são outras, pois sendo em agências de comunicação ou empresas tradicionais, os processos e rotinas do ofício são muito mais padronizados. As métricas de metas e resultados se tornam mais claras e, com isso, a carga de trabalho e as cobranças também aumentam.

Ao longo destas décadas, a tecnologia, todos sabem, tomou conta e transformou os modos de se trabalhar. Na comunicação, então, qualquer teórico mais respeitado viu o computador, lá atrás, como um divisor de águas nos processos de informação. Desta forma, o trabalhar em casa hoje é possível, sem dúvida, porque permite que possamos continuar sendo produtivos mesmo que no isolamento espacial. O que importa é que estamos conectados globalmente.

Esta “nova” rotina, para mim, foi um desejo só realizado quando montei meu negócio, um intervalo de pouco mais de quatro anos, na década passada. Era a liberdade que eu pedia, depois de anos de horários nada fixos. Quem já trabalhou em algum veículo de comunicação sabe que não existe o “horário comercial”. A rotina das notícias tem outro ritmo. Mas o aparato tecnológico trouxe, claro, as facilidades que quebraram totalmente a barreira do “nine to five”. E permitiu que ficássemos disponíveis a qualquer hora.

Esse novo modo de trabalho – e aqui estou me referindo à vida com e-mails e, agora mais do que nunca, WhatsApp – nos traz a outra questão: onde trabalhamos mais: no ambiente da ‘firma”, com as muitas tarefas e o quanto estamos on line fora dali; ou em casa, quando de fato o horário do “expediente” fica ainda mais subjetivo?

Para isso, entendo, não há resposta pronta, pois temos variáveis do tipo de trabalho com desenvolvemos até a forma como resolvemos isso. Quantas vezes, seja em casa ou no escritório, tivemos um dia improdutivo?  Ou que fomos tomados por reuniões que não permitiram resolvermos questões banais? O mesmo, de forma semelhante, trabalhando no aconchego do lar.

Os ambientes mudam, a contingência – como agora — pode ser excepcional, mas estou cada vez mais convencido de que produzimos melhor onde conseguimos adaptar o trabalho ao nosso jeito de ser, da nossa forma de executar as tarefas. Claro que há funções onde isso não é possível, mas hoje temos muito mais mecanismos para flexibilizar tarefas, planejar considerando perfis – nosso e de quem está na equipe.

É isso que tenho buscado, a partir de uma mudança mais radical na minha carreira, alinhado ao conceito de que posso ser mais dono do meu tempo, trabalhando de qualquer lugar. Há vantagens e desvantagens que ainda vou experimentar. Tudo isso para garantir, cada vez mais, qualidade de vida, da minha vida.

*Jornalista e consultor

Programa de estágio da EDP tem inscrições abertas e processo de seleção virtual

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O isolamento social como forma de combater o contágio pelo novo coronavírus está reforçando o modelo de recrutamento e escolha virtual de candidatos. A EDP, empresa do setor elétrico, vai realizar todo o processo de seleção para seu programa de estágio , incluindo entrevistas e dinâmicas, de forma online.

As inscrições serão aceitas até 7 de junho. Os selecionados irão atuar nos estados de São Paulo (sendo 16 vagas na capital e 4 em São José dos Campos); no Espírito Santo (5 em Vitória e 1 no município de Serra) e no Ceará (6 em Pecém – São Gonçalo do Amarante).

Na cidade de São Paulo, as 16 bolsas são para os setores: Jurídico Contencioso, Inovação; Comunicação – Redes Sociais; Assessoria Societária, Sustentabilidade, Treinamento e Desenvolvimento, Comercialização Varejista, Regulação da Geração, Secretariado, Engenharia, Segurança da Informação, Estudos e Obras de Reservatório, Planejamento & Controle – UND, Transmissão e Consolidado, Contratação de Energia, Ventures e Cultura e Bem-Estar.

Em São José dos Campos (SP) são quatro vagas em Engenharia da Distribuição,
Projetos e Construção AT, Tributos diretos e O&M Transmissão. No Espírito Santo, em Vitória, a companhia tem quatro oportunidades de estágio em Manutenção AT, Planejamento da Expansão, Planejamento da Manutenção MT/BT e Estudos de Mercado. No município de Serra, uma vaga na área de Sistemas de Controle (nível técnico). Por fim, em São Gonçalo do Amarante (CE), há bolsas para as áreas de Meio Ambiente, Operações, Manutenção (duas vagas), contas a pagar e Execução (nível técnico).

O programa contempla bolsa-auxílio compatível com o mercado, vale-refeição, vale-transporte, horário de trabalho flexível, seguro de vida e assistência médica. O processo seletivo ocorrerá em cinco etapas: inscrição, análise de requisitos, teste online, avaliação e entrevista.

As inscrições devem ser feitas no site http://jobs.kenoby.com/edpestagio./edpestagio, até 7 de junho.

Curso para gestores e servidores ensina a simplificar processo de abertura de empresa

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A Endeavor, organização sem fins lucrativos de apoio a empreendedores de alto impacto, e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) lançam o curso Abertura de empresas: como redesenhar e simplificar processos, que está disponível gratuitamente na página Escola Virtual de Governo (https://www.escolavirtual.gov.br/curso/276).

O curso foi elaborado para gestores e servidores públicos de todas as esferas e poderes, que atuam nos órgãos responsáveis pelo processo de abertura de empresas. Neste curso, os alunos vão aprender a importância da desburocratização, além de terem acesso a outros conteúdos que dão suporte à identificação de gargalos e ao redesenho do processo de abertura de empresa

Os organizadores lembram que começar um negócio no Brasil não é tarefa fácil: abrir uma empresa envolve procedimentos nos três níveis de governo. Na União, a Receita Federal é responsável pelo registro de empresa, que gera o CNPJ, enquanto o Ibama e a Anvisa definem as diretrizes para o licenciamento, cujo funcionamento possa oferecer riscos ao meio ambiente e à saúde, respectivamente.

Os municípios e Estados, por sua vez, têm autonomia para suas exigências. As prefeituras definem se um negócio pode ou não funcionar em determinada rua ou bairro. E os governos estaduais concedem e renovam a emissão de licenças ambientais, sanitárias e do Corpo de Bombeiros.

O processo de simplificação desses processos traz benefícios tanto para o empreendedor, que tem seu tempo e gastos reduzidos, quanto para a economia do País. Existem cidades como Uberlândia (MG), por exemplo, onde é possível abrir uma empresa em até uma hora.

Nesse sentido, o curso destaca que a Lei de Liberdade Econômica (Lei nº13.874, de 20 de setembro de 2019) trouxe a possibilidade de isentar de quaisquer atos de liberação (como alvarás e licenças) as empresas que desenvolverem atividades econômicas de baixo risco, promovendo a melhoria do ambiente de negócios.

Mais informações em https://www.escolavirtual.gov.br/curso/276

Dias Úteis – Imóveis: SP bate recorde com 34 mil novos apartamentos à venda

Canteiro de obras: Capital paulista também registrou recorde de lançamentos; obras estão em todas as regiões.
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Heraldo Vaz

A percepção de que São Paulo parece um grande canteiro de obras é reforçada pelo número recorde de 34 mil apartamentos novos disponíveis para venda na cidade.

Na virada do ano, eram 20 mil imóveis na planta, 12,7 mil em construção e 1,2 mil novos residenciais prontos para morar, de acordo com os últimos dados do Sindicato da Habitação (Secovi), que apresentou o balanço do setor, referente ao período de janeiro a dezembro de 2019.

O maior volume anterior foi registrado em maio de 2015, com um estoque de 28 mil habitações na capital paulista.

Recorde de lançamentos

Ocorreu aceleração dos lançamentos no ano passado, quando 55,5 mil apartamentos chegaram ao mercado paulistano, registrando novo recorde do setor. Foram 27,2 mil unidades (49%) enquadradas no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), cujo teto de preços é de R$ 240 mil. A maioria (51%) refere-se aos 28,3 mil de médio e alto padrão (MAP) — incluindo 9,6 mil quitinetes e 1 dormitório, tipologia que se mantém como grande vedete em São Paulo.

O melhor resultado anterior aconteceu em 2007, com 39 mil imóveis lançados. A seguir, vêm 2010 e 2011, em pleno boom imobiliário, com pouco mais de 38 mil.

No mix da oferta de residenciais lançados em 2019, existe grande predominância de apartamentos com área menor que 45 metros quadrados (66%), preço até R$ 500 mil (75%) e tipologia de, no máximo, 2 dormitórios (83%).

Ranking das novidades

Responsável por 36% do total de lançamentos no ano passado, a líder em lançamentos foi a Zona Sul, onde está localizado Santo Amaro, o campeão da cidade com 4.151 novos imóveis.

No segmento de médio e alto padrão, Vila Mariana (com 2.653 novos apartamentos), Itaim Bibi (1.766 unidades), Perdizes (1.637) e Jardim Paulista (1.547) também fazem parte do ranking dos 10 distritos paulistanos que mais receberam novos residenciais.

Na outra ponta do mercado, Sacomã (3.170 moradias), Raposo Tavares (1.580) e Parque do Carmo (1.334) foram os destaques em habitação popular do programa MCMV.

Mercado aquecido

Tanto em lançamentos como no total de vendas realizadas, o Secovi registrou crescimento de 50% em comparação com os números de 2018. Foram comercializados 44,7 mil apartamentos no ano passado.

O recorde anterior, também ocorrido em 2007, era de 36,6 mil imóveis vendidos.  

O perfil dos negócios fechados em 2019 segue o mix concentrado dos lançamentos feitos em São Paulo: 63% dos residenciais vendidos tinham menos de 45 m², 73% custaram até R$ 500 mil e 83% ofereciam a tipologia de até 2 dormitórios, conforme o balanço divulgado pelo Secovi.

Estudo aponta que trabalhos dos sonhos dos jovens podem desaparecer

Foto: Gerd Altmann / Pixabay

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta quarta-feira, 21/1/20, o relatório Emprego dos Sonhos? durante o Fórum Econômico Mundial, trazendo dados sobre aspirações profissionais futuras de cerca de 600 mil jovens de 15 anos em 79 países e territórios, entre eles o Brasil. O estudo mostra que os jovens têm, em média, mais anos de estudo do que qualquer geração que veio antes deles. E, no entanto, têm grande dificuldade de se inserir no mercado de trabalho e em conciliar o que aprendem na escola com o que é esperado do ambiente profissional.

Além disso, uma parcela considerável desses jovens sonha com profissões que correm o risco de não existir no futuro: podem ser automatizadas pelo avanço da tecnologia.

As entrevistas com os jovens foram feitas em 2018, durante a aplicação do Pisa, exame internacional que mede o desempenho de estudantes em matemática, leitura e ciências. Aos 15 anos de idade, a maioria dos participantes do exame caminhava para o fim do ciclo da educação básica e se preparava para a escolha da educação superior — e também de o que quer fazer na vida profissional.

Leia aqui mais informações sobre o estudo.

A importância do Plano B na carreira do ator

A carreira de ator de Marco Antônio Pâmio tem mais de 35 anos: estreou em 1984 protagonizando a peça Romeu e Julieta. Foto de Heloísa Bortz

O início da carreira de ator de Marco Antônio Pâmio foi diferente da maioria dos neófitos na profissão. Começou no teatro profissional, em 1984, já protagonizando um clássico de Shakeaspere, “Romeu e Julieta”, dirigido por ninguém menos que Antunes Filho (1929-2019). Pelo seu desempenho, ganhou o prêmio de Melhor Ator Revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Mas o talento e a sorte não livraram Pamio de ter de batalhar muito por sua sobrevivência e enfrentar períodos sem trabalho.

“Nunca ninguém me iludiu de que essa chance de começar a carreira protagonizando uma peça de um diretor do quilate, da importância que foi o Antunes, a vida ia ser fácil”, conta. Após três anos, deixou o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), a companhia de Antunes filho, aos 23 anos idade. E veio a sensação de um grande vazio. Aos poucos, foi fazendo contatos e conseguiu papeis em duas novelas da Globo, “De quina pra Lua” e “Mandala”, e em uma minissérie, “Memórias de um Gigolô”. Nesse período também fez teatro no Rio de Janeiro.

“Radicalizei. Fui do teatro de pesquisa do Antunes para a indústria, para a televisão. Mas fui me reencontrando dentro dessa ideia de ser um ator freelancer. Mas depois de um ano e meio dois anos, eu me senti de novo naquela fase de não ter projeto futuro, de acabar um trabalho e voltar à estaca zero. Essa é a realidade de um ator”, diz, referindo-se às fases de entressafra próprias da profissão.

Com mais de 35 anos de carreira, várias indicações para prêmios de ator (em 2006, ganhou pela APCA por sua interpretação em “Edmond”, de David Mamet) e diretor (em 2014, ganhou, também pela APCA, pela direção de “Assim é se lhe parece”, de Pirandelo), Pâmio conta a seguir como se tornou “polivalente” e superou essa característica da profissão, que alterna fases com e sem trabalho, conseguindo exercer constantemente o seu ofício.

Aprendi ao longo dos anos, já durante um trabalho que estava fazendo, a projetar um trabalho futuro, a já fazer contatos, para que assim, ao se encerrar um trabalho eu não precise passar meses buscando um outro.

Pâmio na peça A Noite de 16 de Janeiro, que foi dirigida po Jô Soares. Foto de Marco Furlan

Eu tenho tido muita sorte, principalmente depois que eu comecei a dirigir, para também ampliar meus horizontes profissionais, porque de 20 anos para cá, eu não só atuo. Eu comecei a ensinar teatro, coisa que eu faço com o maior prazer. E isso começou porque a fase do desemprego durou um tempo, mas eu fui atrás de uma especialização, fui querer estudar no exterior e ganhei uma bolsa para passar um ano em Londres estudando teatro no Drama Studio.

Isso foi de 1990. Ganhei mais experiência como ator, muita técnica. Como eu tinha muita aula, comecei a observar os professores e, na volta, propus uma oficina para a FAAP — desde então eu também venho me aprimorando no ensino do teatro. As aulas preenchiam os períodos de entressafra entre um trabalho e outro. Porque o professor tem, vamos colocar entre aspas, uma vida mais regrada, no sentido de horário, grade… Isso tudo começou a ficar um pouco mais confortável, pelo menos para pagar as minhas contas.

Porém, eu também vim a ampliar e esgarçar meu repertório como profissional, quando eu comecei a dirigir e eu me apaixonei pela direção — é uma coisa que faço com extremo prazer tanto quanto estar no palco atuando. E desde quando eu comecei a dirigir, além das aulas no paralelo, eu consegui intercalar uma direção e um trabalho de ator.

Na peça Medida por Medida, com direção de Ron Daniels. Foto de João Caldas

Assim, enquanto eu estava em uma peça como ator, eu já sabia que ia dirigir um projeto lá na frente. Estreava uma peça e dali a duas ou três semanas eu começava a dirigir essa outra, enquanto estava em cartaz nos fins de semana como ator. Essa ampliação que eu consegui na carreira, no ofício, só me trouxe benefícios, porque eu não dependo só de estar em cena como ator. Eu gerei um outro olhar como profissional, que é o do diretor, tenho feito trabalhos bem-sucedidos, e não parei de dar aula. Fui contratado pela FAAP em 2004 e lá eu continuo até hoje. E neste ano também vai fazer dez anos que eu sou parte do quadro regular de professores da Escola de Atores Wolf Maya. Lá eu também dirijo montagem de alunos, de formatura, e ensino interpretação.

Em 2019, por exemplo, eu não atuei, mas dirigi três peças: uma no começo do ano, outra no meio do ano e outra no fim do ano. Ou seja, eu estive em atividade de janeiro a dezembro na função de diretor e mantendo as minhas aulas. Este ano, agora em fevereiro, vou começar a ensaiar uma peça como ator (“Cock – Briga de Galo”, do inglês Mike Bartlet), volto para o palco em abril e nesse mesmo mês eu começo a dirigir outra peça (“Terremotos em Londres”, também de Bartlett), que vai estrear em agosto.

A polivalência, o plano B, tem de existir de uma maneira ou outra. Se você for purista com você mesmo, e disser ‘eu sou um ator e ponto final’, você corre o sério risco de passar meses sem trabalhar. Pode passar dois anos sem ter um projeto na mão.”

Programa de aceleração da Endeavor vai selecionar 10 agrotechs

Foto: Rodrigo Flores / Unsplash

O Scale-Up Endeavor Agrotech vai selecionar dez scale-ups (empresas que crescem pelo menos 20% ao ano) para participar do programa de aceleração que tem duração de cinco meses. As participantes devem ser empresas que desenvolvam soluções (serviços ou produtos) com base tecnológica para o agronegócio, como biotech, gestão de fazenda, automação e rastreabilidade, entre outros. O foco da aceleração será em empresas inovadoras com alto potencial de crescimento em escala e que apresentam um modelo de negócios comprovado pelo mercado.

Além de conectarem-se com empreendedores em estágios semelhantes, as agrotechs terão a oportunidade de ter mentorias individuais e coletivas com executivos à frente das empresas que mais crescem no Brasil. Os critérios de seleção do programa consideram, por exemplo, escalabilidade do negócio, viabilidade para expansão e potencial dos serviços e produtos para o mercado.

O Scale-Up Endeavor Agrotech faz um verdadeiro diagnóstico do negócio, apontando seus principais desafios de crescimento e, a partir disso, define o mentor ou mentora ideal da Endeavor para acompanhar e auxiliar a empresa ao longo do programa.

O programa é promovido pela Endeavor, organização sem fins lucrativos que apoia empreendedores de alto impacto, em parceria com BASF, Pátria Investimentos, Sempre Sementes e Tigre e apoio institucional do Pulse.

As inscrições devem ser feitas até março no endereço https://endeavor.org.br/scaleup/agrotech